Pq eu piro em barcamps e micro-comunidades

BarCampParis4

O primeiro foi dia 10 de junho de 2006. Dia de Portugal, como esquecer?

Chris Messina estava lá para abrir e participar, e o Barcamp teve um romântico ar de pureza, de universalidade, de realidade sonhada. Fui como indivíduo e colaborador da Mandriva. Acabei trabalhando na af83, empresa fundada pelos organizadores. O meu escritório logo foi naquele mesmo lugar. Como esquecer?

É bom senso constatar que os Barcamps tomam uma forma específica em cada lugar: o formato original é um final de semana com dormida no local, já em Paris costuma ser tarde e noite de sábado, por exemplo. Em cada lugar, o formato de não-conferencia ou desconferência, de incarnação do momento Barcamp, é diferente. O seu caráter é diferente.

Para mim, o que supera o conceito, que só interpela nossos intelectos, e o caráter, que varia segundo a situação, é o espírito.
Eu procurava aquilo. Conhecer gente interessada nas mesmas coisas que eu, coisas que não dão na rádio nem nas bancas de jornais, e conversar de coisas das quais não podia, ou quase, conversar com quem conhecia até então. Estar perdido no meio delas, ver gente que leio, fazer, desfazer, pensar, trocar idéias, etc. Mas o mais legal, profundo e duradouro são os olhares brilhantes, a sensação efusiva, a naturalidade da colaboração, a conversa. Surpreendentemente, ou não, isso atravessa oceanos melhor que qualquer outra coisa.

E o Barcamp não tem o monopólio desse espírito, nem quer. Nele e dele nascem projetos e amizades. Micro-comunidades. São inúmeros os grupos que vieram formados e se reforçaram, como os grupos que se criaram. Talvez até seja interessante tentar listar e ver se é comparável a nível mundial, se dá uma imagem fiel da criação de valor, ou outra coisa (alguém estava querendo aplicar ciência?).

Cada micro-comunidade ataca problemas que considera importantes. Como têm o Barcamp como referencial comum, e muitas vezes até participantes comuns, a soma dos trabalhos de todas as micro-comunidades produz mais valor, a mais níveis, pela vivência comum e a colaboração a 360°. É a teoria das fusões e aquisições corporativas e do mercado, só que nas suas dimensões humana, muitas vezes humanista, democrática, espontânea e gratuita. E, supreendentemente ou não, funciona. Porque sempre colaborativa, talvez. A nível local, nacional e mundial.

Hoje conversava com o André e o Pedro (não sei onde te linkar Pedro!) no evento do Flickr aqui em Sampa sobre os Barcamps no Brasil. Eles querem fazer a coisa certa, eles querem esse espírito e querem comunidades de micro-comunidades.

E se no Brasil e em Portugal os geeks, os marketeiros e os VCs forem trocados pelos blogueiros, os marketeiros e os jornalistas, assim seja. O círculo se completa na mesma e é a mesma batalha pela melhoria da informação: sua produção, qualidade, circulação e reaproveitamento. Sua abertura, sua liberdade. O Barcamper continua sendo pró-ambiente, sustentável por natureza e humano. Isso é universal, o caráter e a forma são locais, e tudo em sua ordem divina faz um mundo melhor. Se me perguntarem se o Barcamp tem um alma subsersiva, alternativa, inovadora, que respondo? Evolucionária e social, e logo o resto.

E esta terça-feira acabou bem melhor do que começou.

Comments (4)

  1. Isaac Keyet, on Friday, October 26, 2007 at 5:24 pm # wrote:

    Hello, I don't understand the language of this blog but I really like the blog theme!

  2. Alexandre L Solleiro, on Saturday, October 27, 2007 at 11:34 am # wrote:

    Hey Isaac! Thank you. The theme's an adaptation of Simplr v3 that my friend at http://www.maxart-design.com/ setup for me. Most of my posts are in english if you're interested. This post is written in portuguese. Cheers A

  3. Max, on Tuesday, October 30, 2007 at 12:20 pm # wrote:

    W00t, that friend is me! Thanks for the link Alex!

  4. Alexandre L Solleiro, on Tuesday, October 30, 2007 at 12:27 pm # wrote:

    Linklove is all you need, they sang.

Close
E-mail It